terça-feira, 7 de agosto de 2012


Como funciona a mente de um criminoso ?

Cenas diárias. Pouco importa o lugar ou a hora. De onde vem a violência? Pesquisadores de várias áreas buscam as respostas.

"É um pouco o genético e um pouco social", afirma Roberto Lent, do Instituto de Ciências Biomédicas da UERJ.

Os estudiosos do cérebro explicam: a agressão vem da nossa natureza animal. O lobo frontal, uma região da testa, é que libera ou não os comportamentos agressivos.

"Como ocorre este bloqueio: ele funciona em função do que tem fora; da sociedade do ambiente. A gente desde criança aprende que existem leis e regras sociais", explica Lent.

Errar é humano. Oscilamos entre o respeito às regras e a transgressão o tempo todo. Parar onde não deve, trapacear no jogo, colar na prova . Mas quando a transgressão constante e crescente merece luz amarela: muita atenção.

O núcleo forense do Instituto de Psiquiatria de São Paulo dá assistência em perícias, trata e estuda a mente de criminosos.

"Existem pessoas doentes que cometem crimes. Existem pessoas normais que cometem crimes. E existem pessoas más que cometem crimes", ensina o neuropsicólogo Antônio Serafim.

São Paulo tem 158 mil detentos. Só 1% tem alguma doença mental. Esses, segundo os médicos, não têm conserto.

"Ela continua sempre como ela é. É como uma música, você consegue diminuir um pouco o volume , mas continua tocando a mesma música. A personalidade, o jeito não se modifica", adverte o psiquiatra Rafael Bernardoni Ribeiro.

Mas o contrário acontece. Um cérebro sadio adoece com o uso de drogas. O efeito do crack é apontado como o mais devastador. E está entre os principais responsáveis pelo comportamento agressivo dos jovens de todas as classes sociais.

"O usuário de crack fica tão dependente do vício que sai para rua para pegar a droga de qualquer jeito. Ele se torna quase uma coisa", aponta o promotor de Justiça de Minas Gerais Lélio Calhau.

Difícil é quando não se sabe a causa e a conseqüência está doendo. Como na história de Fabiano, espancado na porta de uma boate.

"Chute, mais chute e paulada na cabeça. E ainda, por último, veio um e deu um chute. Ele tentou levantar", conta a mãe do rapaz, Sebastiana Dias.

Em vez de resposta, seqüelas.

"Eles vão viver uma vida saudável. Meu filho não", lamenta a mãe.

Na maioria das vezes, a violência está diretamente ligada à educação.

"Até que ponto as famílias não são permissivas? Até que ponto as famílias não criam um clima que favorece essa visão de mundo: egocêntrica, até narcísica, das pessoas passarem a achar que o que eles querem eles têm direito?", indaga o antropólogo Gilberto Velho.

Cinco rapazes. Universitários de classe média alta agrediram uma doméstica e ainda tentaram se justificar dizendo que achavam que era uma prostituta. Para o pai de um dos agressores, crueldade foi a prisão dos rapazes.

"Não justifica o que eles fizeram. Mas, prender?", questionou o pai de um dos agressores na época.

Juraci pensou diferente. Quando viu o filho bêbado ao volante chamou a polícia. E não pagou fiança para soltar o filho.

"Já pensou se você passar a mão na cabeça dele o que ele vai fazer?", desabafa Juraci.

A lição aprendida na pele é explicada pela ciência.

"O limite entre o comportamento violento tolerável , considerado normal, e o intolerável, considerado patológico, é uma linha que a sociedade determina", justifica Roberto Lent.



Artigo extraído de:  http://www.jusbrasil.com.br/noticias 




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